domingo, 13 de janeiro de 2013

Sarney, capítulo machadokafkiano, por David Zylberstajn


Provavelmente boa parte das pessoas que leiam este post já deve também ter lido o Alienista, de Machado de Assis.

Resumindo a história: um médico, Simāo Bacamarte, resolve estudar a loucura e cria um hospício, em Itaguaí, chamado Casa Verde. E começa uma sequencia enorme de internações de pessoas supostamente sās, pelos motivos mais diversos e prosaicos.
Após diversas revoltas e reviravoltas na cidade, Bacamarte inverte seus critérios e quem era louco é liberado e os "sãos" passam a ser os novos loucos da cidade (inclusive sua mulher, d. Evarista é internada).

Mas por que me ocorre esta digressāo machadiana? Explico: hoje li nos jornais que o Senado está patrocinando uma exposiçāo para enaltecer os feitos de José Sarney. Sāo 76 painéis montados com o título "Modernidade no Senado Federal - Presidências de Josė Sarney", exaltando seus quatro mandatos como presidente da Casa.

Mas delírio maior é a informaçāo do próprio Senado, de que a exposição foi feita "a custo zero". Ou seja, a partir de argumentos de que os textos foram impressos pela gráfica do Senado e os textos feitos por 23 diretorias e secretarias, nāo há custos! Aquela estrutura de pessoas, escritórios, mordomias e benesses, pagas com nosso imposto representa custo zero para os parasitas e moscas que gravitam em torno daquela cultura podre que nāo respeita o dinheiro alheio.

Pois Machado de Assis antecipou tudo isso ainda no século 19. Este Brasil virou uma grande Casa Verde, onde a loucura e a normalidade se alternam em funçāo de cada Simāo Bacamarte. Só imaginando estarmos fora de nossas faculdades mentais, os loucos de Brasília sāo capazes de fazer o que fazem e dizer o que dizem.

por David Zylberstajn via Facebook em 13 jan 2013

+DavidZylberstajn
@DavidZylberstajn
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